Foto: Lucas Uebel/Grêmio.

Dassler Marques, repórter do site UOL em São Paulo, é um dos caras que mais acompanham futebol de base do Brasil e reconhece o talento do atacante Luan, do Grêmio. Mas justamente por conhecer os bastidores de quem contrata jogadores promissores do futebol brasileiro, ele fez uma análise sobre o porquê o gremista não chama atenção dos gigantes europeus.

Aqui o belo texto do Dassler Marques:

É possível que seja anunciada em breve a venda de Luan ao Spartak Moscou. Para muitos, e me incluo, o principal jogador do futebol brasileiro. E por que não atraiu os maiores clubes da Europa?

Há muitos fatores que explicam essa relativa falta de prestígio do Luan no grande mercado europeu.

Um dos principais é a trajetória pouco convincente em divisões de base e principalmente em seleções de base (zero convocação antes da sub-23). São fatores muito levados em conta para aferir o potencial de um jogador jovem. Luan, além disso, não jogou na seleção principal.

Acrescente a isso um número de gols não muito alto (esse ano até evoluiu, tem 14 gols), a dificuldade em jogar pelos lados do campo como atacante e o fato de oferecer seu melhor jogo em uma posição muito específica, como falso nove ou segundo atacante, pouco usada em grande parte dos clubes.

Coloque aí ainda o fato de Luan ter um histórico extracampo que inspira alguns cuidados, vide o recente caso de CNH e os vídeos que sempre pipocam no Whatsapp. Tudo isso é colocado na balança na hora de um investimento. E os clubes que efetivamente procuraram Luan são os médios (Spartak, Sampdoria, mesmo a Internazionale hoje é um clube médio no grande mercado…).

Outro ponto importante é a idade “avançada”. Aos 24 anos, o Luan dificilmente terá mais duas grandes transferências na carreira, no patamar + 20 milhões de euros. Significa que o clube comprador deve enxergá-lo como um acréscimo de qualidade ao elenco, mas não como um investimento com possibilidades de gerar grana a longo prazo. O clube que futuramente vier comprá-lo ao Spartak dificilmente vai enxergar potencial de revenda. As chances de recuperar a grana são médias.

Agora, as partes boas: jogador de raro refinamento técnico, leitura de espaços e tomada de decisão muito qualificadas, do nível de alguns dos melhores jogadores brasileiros na Europa. Com força mental e um pouco de sorte, Luan pode sim fazer uma carreira de sucesso lá fora. Tem muita bola pra isso e, se for mesmo, ainda estará na fase de grupos da Champions.